sábado, 31 de maio de 2008

Ser ou não ser? Eis a surrada questão.


Tudo começou na Poesia Gótica com uma simples pergunta:

Afinal, o que é, e o que NÃO é, poesia gótica?

Se para alguns Baudelaire, o mesmo Baudelaire citado no perfil daquela comunidade, é considerado apenas como autor melancólico em alguns sites e blogs góticos mas não gótico, o que os "entendidos" de literatura gótica definem como gótica?

Autodidata, portanto sem o respaldo didático necessário, filha da modernidade internauta, me sendo lícito procurar no Orkut alinhavar os diferentes conceitos peneirados ao longo do tempo, lhes perguntei:

Por exemplo, a poesia abaixo, de autoria de Lenin Bicudo Bárbara pode ser definida como gótica?

Gárgula.

Quem sou? Sou pedra trabalhada
Pelas mãos, pelas ferramentas
De um artista, pelas tormentas
De uma cultura deformada...

O que quero? Desejo a vida!
No entanto só consigo a morte
Nesse jogo de fraco e forte
Nessa eterna e viciosa lida...

De onde venho? Venho da terra_
O hiper fértil óvulo vivo
E do esperma pouco criativo
De um soldado da humana guerra... (
Lenin Bicudo Bárbara)


A discussão foi longe e quase me valeu uma expulsão se eu não tivesse me expulsado sozinha.

Finalmente, como não obtivesse a resposta aguardada eu mesma me respondi:

O estilo da poesia dada neste tópico como exemplo não pode ser considerada gótica porque :

*não é romântica, nem individualista e nem subjetiva;
*não traz em seu âmago emocional o clima de mistério e terror sobrenatural dark;
*não reflete a alma tenebrosa do personagem (Gárgula) e tampouco o que Atlas teria de obscuro;
* É uma elucubração mental e não emocional.


E agora?

Em mim, ainda persiste a dúvida. Estarei certa biscoitos?

Para quem quiser ler o tópico na íntegra visite: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=79693&tid=2595626024695099226&kw=afinal+&na=1&nst=1

quinta-feira, 29 de maio de 2008

À Meia-luz!


À Meia-luz! Vagando entre luzes e sombras de si mesma

Soterrada nos escombros das lembranças

torna aos caminhos dos Infernos.

Alucinação?

Estarão as imagens dos deuses cravadas na genética dos tempos

?

Serão apenas personagens que habitam os limbos de nossa percepção?

Ou participarão de um determinismo inerente à vida?

Em que espaços dispõem e limitam

Suas imagens?

Corrompendo petições insólitas de antigas profecias

Unem-se corpo e alma num abraço sagrado!

No êxtase purificatório do amor entre deuses e mortais

Todas as paixões e antigos medos pareceram romper suas crostas endurecidas

e se revelaram.

Nem Dionísio em toda a sua loucura experimentara toda a cegueira

Capaz de conduzir aquela Alma a todo tipo de extremos

Que se assistiria dali para frente.

Eterno em seu movimento,

Um novo ciclo emerge das dobras do Tempo.

Arrojada,

É lançada a Novos Céus e a Novos Infernos!


domingo, 25 de maio de 2008

No Castelo das Árvores Mortas


Meia noite! Chuva! Vento! Frio!
A alma enregelada em seu sarcófago, sonha sonhos
Mortos, à luz de velas!
Velas de sândalo? Perfumadas de cravo e mirra? Mistério.
Aromas.
Carménère Chileno?
Quem feriu Mulher deitada nas sombras?
Quem celebra a vida na morte?
Quem convida a Inocência à celebração?
Quem promete beijos à boca rubra da timidez?
Amor livre, efêmeras delícias, brindes em taças de cristal?
Não.
Amanhece. Rubra de pudor, a Aurora.
Na mesa baixa em tigelas pretas decoradas,
Apenas chá verde servido em silêncio.
Desperta, a alma enregelada volta a ser
Sombra fugidia, adormecida e velada pelas Horas.
Caronte não devolve o óbulo dado como passagem
para o mundo do esquecimento que a separou da sua natureza humana!
Um tanto realidade, outro tanto fantasia como todas as sombras,
Consumida pela carne-viva das antigas escolhas
volta incógnita às entranhas de Hades.


Agradeço aos amigos da comunidade Escritores Inusitados à correção que permitiu a estruturação final deste poema.
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=40954467