terça-feira, 17 de junho de 2008

Miragem!


Meio dia! Sol a pino! Luz! Calor!
Sedenta em pleno deserto
À primeira vista, apenas uma pedra
Um aglomerado de rochas
Batidas pelo vento e poeira seca
Uma pedra que chora!
Uma miragem.
Sim. Imerso no azul do céu
O peregrino.
A seus pés, a sombra.
Uma figura de mulher
Talhada
Em negro granito
Vertendo lágrimas.
Pelo rosto torturado!
Trágica e bela,
Altiva e desafiadora!
Que mãos a teriam esculpido?
Assombrado
Pela visão surpreendente,
Cauteloso se aproxima.

Miragem?
Uma figura humana caída
nas areias escaldantes do deserto!
Poeira? Cinzas?
Humanas?
Vinda de quais mundos,
A quais estrelas.
A conduziam seus passos?
Estupefato,
A medo,
Ousa:
_Quem és alma penada?
De que danações,
De que inferno,
De quais sortilégios
Veio me assombrar?
E é a voz do vento
Que sibila aos seus ouvidos:
_Aquela
Que eternamente prometeste amar.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Lendas.

Lendas (rearranjo molecular/carinha)

À meia-luz
vagando por entre luzes e sombras,
na poeira das estradas paralelas,
Toma Erígone os caminhos dos Infernos
Sob os escombros vivos das lembranças,
Cabelos ao vento,
fácies transtornada,
aos gritos
se põe a correr!
Alucinação?
Perdida entre o espaço e o tempo,
mergulhada em seu desespero,
desliza para as sombras profundas do Não-Ser!
Deuses.
Modelados da semente dos tempos?

Personagens nos limbos da percepção?
Determinismo inerente à vida?

Em que espaços dispõem e limitam
Suas imagens?
Seu Amado estremece compadecido!
E em toda Terra, o Caos retorna à vida!
Corrompendo petições insólitas de antigas profecias
Unem-se corpo e alma num abraço sagrado!
Lua de sangue!
No êxtase purificatório do amor entre deuses e mortais
Antigos medos pareceram romper suas crostas endurecidas
e se revelam.
Nos Céus Zodiacais

Nasce a grande constelação de Virgem!

Paixões?
Nem Dionísio em toda a sua loucura experimentara por inteiro
A cegueira capaz de conduzir aquela Alma a todo tipo de extremos
Que se assistiria dali para frente.
Eterno em seu movimento,
Um novo ciclo emerge das dobras do Tempo.


Caderno de Apontamentos.
1. Uma lenda grega representa Icário, a quem, devido à sua eqüinoidade e justiça, Dionísio escolheu para ensinar à humanidade a arte de fazer o vinho. Foi ele que utilizou um odre feito de pele de cabra para o transportar, segundo Eratóstenes e foi à volta de um odre de vinho "que pela 1a vez os homens dançaram").
Para obedecer ao deus, Icário viajou até à Ática e deu a provar a nova bebida a vários pastores. Estes embriagaram-se e, julgando terem sido envenenados, assassinaram-no.
Sua filha Erigona, que havia sido seduzida por Baco-Dionísio na ausência do pai, esperou-o em vão; foi o seu fiel cão, Maera, que a conduziu ao local onde o tinham enterrado.
Erigona não resistiu ao desgosto: enforcou-se no pinheiro por baixo da qual jazia seu pai.
Compadecido, Dionísio transformou-os em estrelas: Icário no Boieiro, Erigona na Virgem e Maera em Procion.
Nas cerimônias das vindimas, participando do culto de Dionísio, Icário, Erígona e Maera, eram adorados com libações.

2. Erígona, a que inicia disputas!
Radical en (disputas, brigas): Erígena e Erifânia. Fúrias Eríneas. Deusa Éris.

3. Morgana fala:
Vestem a Grande Deusa com o manto azul da Senhora de Nazaré, a que dizem que foi sempre virgem... (Lua Azul Celta)
Mas o que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade? (Brumas de Avalon)


sábado, 31 de maio de 2008

Ser ou não ser? Eis a surrada questão.


Tudo começou na Poesia Gótica com uma simples pergunta:

Afinal, o que é, e o que NÃO é, poesia gótica?

Se para alguns Baudelaire, o mesmo Baudelaire citado no perfil daquela comunidade, é considerado apenas como autor melancólico em alguns sites e blogs góticos mas não gótico, o que os "entendidos" de literatura gótica definem como gótica?

Autodidata, portanto sem o respaldo didático necessário, filha da modernidade internauta, me sendo lícito procurar no Orkut alinhavar os diferentes conceitos peneirados ao longo do tempo, lhes perguntei:

Por exemplo, a poesia abaixo, de autoria de Lenin Bicudo Bárbara pode ser definida como gótica?

Gárgula.

Quem sou? Sou pedra trabalhada
Pelas mãos, pelas ferramentas
De um artista, pelas tormentas
De uma cultura deformada...

O que quero? Desejo a vida!
No entanto só consigo a morte
Nesse jogo de fraco e forte
Nessa eterna e viciosa lida...

De onde venho? Venho da terra_
O hiper fértil óvulo vivo
E do esperma pouco criativo
De um soldado da humana guerra... (
Lenin Bicudo Bárbara)


A discussão foi longe e quase me valeu uma expulsão se eu não tivesse me expulsado sozinha.

Finalmente, como não obtivesse a resposta aguardada eu mesma me respondi:

O estilo da poesia dada neste tópico como exemplo não pode ser considerada gótica porque :

*não é romântica, nem individualista e nem subjetiva;
*não traz em seu âmago emocional o clima de mistério e terror sobrenatural dark;
*não reflete a alma tenebrosa do personagem (Gárgula) e tampouco o que Atlas teria de obscuro;
* É uma elucubração mental e não emocional.


E agora?

Em mim, ainda persiste a dúvida. Estarei certa biscoitos?

Para quem quiser ler o tópico na íntegra visite: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=79693&tid=2595626024695099226&kw=afinal+&na=1&nst=1

quinta-feira, 29 de maio de 2008

À Meia-luz!


À Meia-luz! Vagando entre luzes e sombras de si mesma

Soterrada nos escombros das lembranças

torna aos caminhos dos Infernos.

Alucinação?

Estarão as imagens dos deuses cravadas na genética dos tempos

?

Serão apenas personagens que habitam os limbos de nossa percepção?

Ou participarão de um determinismo inerente à vida?

Em que espaços dispõem e limitam

Suas imagens?

Corrompendo petições insólitas de antigas profecias

Unem-se corpo e alma num abraço sagrado!

No êxtase purificatório do amor entre deuses e mortais

Todas as paixões e antigos medos pareceram romper suas crostas endurecidas

e se revelaram.

Nem Dionísio em toda a sua loucura experimentara toda a cegueira

Capaz de conduzir aquela Alma a todo tipo de extremos

Que se assistiria dali para frente.

Eterno em seu movimento,

Um novo ciclo emerge das dobras do Tempo.

Arrojada,

É lançada a Novos Céus e a Novos Infernos!


domingo, 25 de maio de 2008

No Castelo das Árvores Mortas


Meia noite! Chuva! Vento! Frio!
A alma enregelada em seu sarcófago, sonha sonhos
Mortos, à luz de velas!
Velas de sândalo? Perfumadas de cravo e mirra? Mistério.
Aromas.
Carménère Chileno?
Quem feriu Mulher deitada nas sombras?
Quem celebra a vida na morte?
Quem convida a Inocência à celebração?
Quem promete beijos à boca rubra da timidez?
Amor livre, efêmeras delícias, brindes em taças de cristal?
Não.
Amanhece. Rubra de pudor, a Aurora.
Na mesa baixa em tigelas pretas decoradas,
Apenas chá verde servido em silêncio.
Desperta, a alma enregelada volta a ser
Sombra fugidia, adormecida e velada pelas Horas.
Caronte não devolve o óbulo dado como passagem
para o mundo do esquecimento que a separou da sua natureza humana!
Um tanto realidade, outro tanto fantasia como todas as sombras,
Consumida pela carne-viva das antigas escolhas
volta incógnita às entranhas de Hades.


Agradeço aos amigos da comunidade Escritores Inusitados à correção que permitiu a estruturação final deste poema.
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=40954467